Baixa oferta aumenta valorização de imóveis com um quarto em Salvador

Os apartamentos de um quarto atualmente representam uma parcela muito pequena dentro do mercado imobiliário. Ofertados em tamanhos que variam entre os 20m² e 40m², esses imóveis compactos acabam por significar menos de 1% dos empreendimentos lançados em Salvador atualmente.

Porém, mesmo focado em um segmento específico de proprietário/morador, essas unidades habitacionais continuam com alta demanda de clientes interessados para o uso por temporada, e mesmo em minoria, não devem desaparecer tão cedo.

Segundo dados da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), foram vendidos no estado, 328 unidades deste tipo de unidade, em 2014 – valor que representou apenas 4,47% de todas as vendas registradas pela entidade. O número de lançamentos consegue ser ainda menor: 36 unidades – montante que representa apenas 0,89% de todos os empreendimentos lançados no ano passado.

Mas, para o presidente da entidade, Luciano Muricy, o baixo número não significa o desaparecimento ou mesmo uma diminuição dessas moradias. Segundo ele, os apartamentos de um quarto sempre foram muito menores do que as unidades com mais cômodos. “Por ser uma porta de entrada com custo mais baixo, para alguém que está chegando à cidade, ou que quer um lugar para ficar temporariamente, esses apartamentos, mesmo em minoria, sempre tivera sua importância dentro do mercado”.

Em Salvador, os números são ainda menores. No ano passado, foram vendidas 226 unidades de um quarto em todo o período, na capital – montante que representa 0.96% do total das vendas do mercado imobiliário na cidade. Enquanto isso, o número de unidades lançadas ficou em apenas 20 unidades - ou 0,96% em relação aos demais lançamentos.

Morada temporária

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA), Samuel Prado, a maior parte dos consumidores que adquirem uma unidade habitacional de um quarto são pessoas que pretendem fazer negócios com o imóvel. “Muitas vezes, quem compra pensa em alugar o espaço para visitantes, turistas, e pessoas que estão começando a morar na cidade, visto que há um público grande em busca desses espaços mais em conta, e também mais práticos”.

Ele argumenta que, a depender da situação, o apartamento de um quarto pode ser mais vantajoso do que hotéis e outros locais de hospedagem, para o caso de quem viaja sozinho, ou mesmo em casal. “Os apartamentos dispõem de uma área de serviço, e cozinha, onde a pessoa pode fazer suas refeições sem gastar muito comendo fora”.

Além do lado positivo para o turista, o recém-chegado habitante de outra cidade também acaba optando por uma moradia menor e mais bem localizada. Estudantes ou profissionais com origem fora do estado também integram o público-alvo, assim como recém-casados, em início de formação profissional. Não a toa, a maior parte dos imóveis a venda e disponíveis para locação ficam situados justamente em bairros mais desenvolvidos da cidade.

De acordo com o portal Imóvel Web, o bairro com o maior número de ofertas é o Caminho das Árvores (com 318 unidades à venda, e 163 disponíveis para aluguel), seguido da Pituba (269 à venda, e 138 para locação). Outras regiões com um bom número de ofertas são Armação, Barra e Ondina. Todas elas, conhecidas pelo alto IDH, e pelo valorizado metro quadrado.

Localização privilegiada

Os imóveis também são mais valorizados nos bairros mais procurados. Enquanto um apartamento de um quarto, no Caminho das Árvores, é ofertado por um preço que pode variar entre os R$ 300 mil a R$ 500 mil, é possível encontrar, nesta mesma faixa de preço, apartamentos mais espaçosos, com até três quartos, nas regiões de classe média, a exemplo de Brotas.

Em termos de locação, é possível constatar a mesma valorização das regiões litorâneas, em relação ao miolo da capital. Na Pituba, os apartamentos de um quarto são ofertados em média de R$ 1.500, enquanto que a região do Cabula, por exemplo, pela mesma faixa de preço, é possível alugar apartamentos de três quartos, que pode chegar ao dobro do tamanho médio das moradias compactas.  

“As pessoas que alugam o apartamento de um quarto costumam valorizar mais a localização do imóvel, do que o seu tamanho. Para elas, é mais vantajoso viver em um bairro mais desenvolvido, tendo uma melhor infraestrutura a sua disposição, e economizar no espaço de casa”, explica Samuel Prado.    

Seja pela sua localização, ou pela funcionalidade, capaz de atrair um público pequeno, mas destacável, o certo é que esses apartamentos com seu único cômodo, ainda possuem demanda considerável no mercado, devendo demorar mais tempo do que se espera para sair dos eventos imobiliários e dos classificados.