Empreendimentos feitos para idosos custam até 12% mais

A procura do casal de aposentados Rosilda Oliveira e Pedro Paim por um empreendimento adaptado às necessidades do público da terceira idade demorou. Lá em 2002, o idoso precisou bater na porta de oito construtoras até encontrar o que buscava. Quando conheceu, comprou logo dois apartamentos no Residencial Botticelli, no Pituba Ville.

Imóveis como esse comprado pelo casal podem custar entre 5% e 12% mais caro do que os convencionais, de acordo com estimativa feita pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado da Bahia (Sinduscon), Carlos Henrique Passos.

O preço elevado, segundo ele, deve-se às dimensões maiores que essas unidades precisam ter para possibilitar circulação de cadeira de rodas, andadores etc.

"Um banheiro precisaria ter pelo menos 1,5 metro de largura, a cozinha pelo menos 1,80 m e assim por diante", ensina.

O Botticelli, por exemplo, é equipado com espaços pensados especificamente para o público de idosos. Com oito andares, sendo o último uma cobertura compartilhada, o residencial possui sala de atendimento médico, sala de fisioterapia, piscina com barras de apoio para hidromassagem e hidroginástica, sala de jogos, pisos antiderrapantes em todos os ambientes, além de funcionalidades nas áreas internas dos apartamentos.

As tomadas e interruptores foram instaladas em altura média e perto de móveis estratégicos, como as camas, para evitar esforço dos moradores. Já os banheiros são equipados com barras de ferro.

Até hoje o prédio é o único com essas características de que se tem notícia na Bahia.

Exemplo da Paraíba

Na Paraíba, entretanto, o condomínio público Cidade Madura, lançado pelo governo estadual em junho do ano passado, conta com 40 casas adaptadas para moradores da terceira idade. A TARDE entrevistou representantes baianos da construção civil e do setor imobiliário, que não souberam identificar outros empreendimentos do tipo por aqui ou projetos em andamento.

Ainda assim, o presidente do Sinduscon afirma que o surgimento de construções pensadas especialmente para idosos é uma tendência.

"Vai ser importante o mercado olhar para isso e trazer pelo menos possibilidades de adaptação, porque os aspectos demográficos mostram que o Brasil terá mais idosos do que jovens em pouco tempo", analisa o sindicalista.

Ele conta, ainda, que a faixa 1 do programa federal Minha Casa, Minha Vida, destinada a famílias que ganham entre zero e três salários mínimos, já tem 100% dos seus imóveis adaptáveis e 3% adaptados para idosos e deficientes.

Coordenadora de projetos da MRV Engenharia, responsáveis por alguns dos empreendimentos do programa governamental, a arquiteta Marina Salata explica que recursos como corrimãos, pisos antiderrapantes, rampas, entre outros, precisam ser pensados ainda na fase de elaboração da planta, prevendo que pessoas com idade avançada vão morar nas construções.

Ela afirma, porém, que dificilmente isso é feito. "Existe a preocupação com os deficientes físicos, prevista nas normas técnicas, que acabam valendo também para os idosos. Mas não há, hoje, nada pensado especialmente para eles".

Por isso também as 49 unidades do Botticelli (sete por andar) são concorridas. Atualmente, conta o administrador do empreendimento, Ricardo Souza, até mesmo o público jovem busca vagas no local.

O aposentado Hermes Souto, 70, que mora no Botticelli há cinco anos, está satisfeito com a decisão de deixar a antiga residência para morar no prédio. Ele avalia, porém, que outras opções no mercado ainda são necessárias. "Aqui é ótimo, mas são 49 apartamentos e existem outros idosos buscando um lugar assim", diz.